O ConsultórioFonoaudiologiaServiçosArtigos

HomeA ProfissionalConvêniosLinks ÚteisContatos
 

 

Retorno
Patologias

AS MUITAS FACES DA DISLEXIA

Retorno
Artigos

         Meu filho foi mal alfabetizado—ele é disléxico? Dislexia é uma dificuldade de aprendizagem? Problemas de aprendizagem são as múltiplas varetas de um amplo guarda chuva. Dislexia é apenas uma delas, mais muito especial. É mais fácil defini-la pelo que não é do que pelo que é.Com certeza não é um problema de inteligência, tampouco uma deficiência visual ou auditiva, muito menos um problema afetivo emocional. Então o que é?  

             Dislexia é um problema específico de linguagem que se apresenta na língua escrita e emerge nos momentos iniciais de aprendizagem da leitura e da escrita, mas já se encontrava subjacente a este processo. E uma dificuldade para reconhecer, reproduzir identificar, associar e ordenar os sons e as formas das letras. É , certamente um modo peculiar de funcionamento dos centros de linguagem mas não é uma doença neurológica

             As escolas podem acolher alunos com dislexia nas turmas regulares sem modificar seus projetos pedagógicos curriculares. Procedimentos didáticos adequados possibilitam ao aluno desenvolver seus múltiplos talentos (foram disléxicos, Leonardo da Vinci, Einstein, Agatha Cristie e Nelson Rockefeller, entre outros) .  

             O bom desempenho na leitura provém do equilíbrio entre o desenvolvimento das operações de leitura decodificação e compreensão, interagindo com os estágios de desenvolvimento do pensamento e da linguagem. Os vínculos afetivos bem construídos facilitam estas aprendizagens. A decodificação na leitura é a habilidade lingüistica em transformar um sinal escrito num sinal sonoro. 

           Associar as letras aos sons correspondentes, organizar sequenciar e encadear a corrente sonora são os caminhos percorridos para se aprender a palavra escrita. No caso do disléxico, ao querer escrever “vou contar uma piada”, ele pode escrever “vou cotar uma paida”. E não adianta ordenar-lhe que preste atenção, pois e3le já prestou a maior atenção possível e mesmo assim não conseguiu organizar a estrutura da palavra.

           Quanto mais à leitura e a escrita se fazem necessárias, mais a dislexia se revela, confundida muitas vezes com problemas gerais de aprendizagem.  

            Muitos sinais porem podem ajudar pais e educadores a identificar precocemente a dislexia, que com freqüência apresenta-se associada ao distúrbio do déficit de atenção                      (DDA).

              Alguns sinais comuns na fase pré-escolar são: demora nas aquisições e no desenvolvimento da linguagem, expressão e compreensão e alterações persistentes na fala: dificuldades de escrever números e letras corretamente dificuldades para se organizar no tempo, reconhecer horas, dias da semana e meses, dificuldade de organizar seqüências espaciais e temporais, ordenar as letras do alfabeto, sílabas em palavras longas, seqüências de fato: pouco tempo de atenção nas atividades, mesmo que interessantes, dificuldade em memorizar fatos recentes, números de telefones e recados; dificuldades de participar de brincadeiras coletivas; pouco interesse em livros impressos e em escutar histórias.  

             Crianças que aprendem a ler mas carregam uma dislexia camuflada podem ser vistas como desinteressadas e reagem com apatia ou revolta. Atenção portanto, aos sinais que assinalam o problema entre crianças na fase escolar: dificuldade em reconhecer rimas e alterações ; vocabulário reduzido, construções gramaticais inadequadas, dificuldade de entender as palavras pelo seu significado ; dificuldade de fazer cópias; trabalhos e agendas incompletas, dificuldade na leitura (lê mais não entende o que leu) dificuldade de organização nas seqüências e nas rotinas diárias, dificuldade em matemática, cálculos e aprendizado de uma segunda língua; confusão de orientação em trabalhos com dicionários ou mapas.  

      Para evitar que o disléxico passe a vida sem diagnóstico diferencial carregando frustrações, o ideal é que haja orientação profissional adequada. AS associações brasileiras que pesquisam o assunto estão a altura de suas congêneres internacionais. No Rio o suporte teórico e pratico é oferecido através da Associação Nacional de Dislexia (AND) entidade sem fins lucrativos e que é constituída por Fonoaudiólogos, psicopedagogos, psicólogos e neuropediátras para os quais a dificuldade não define o ser humano sendo apenas um detalhe de uma paisagem rica e complexa.

 Clelia Argolo Estill (vice-presidente da Associação Nacional de Dislexia)

 Texto retirado do Jornal O Globo


Designer